quinta-feira, setembro 22, 2005

Às vezes...

...apetece-me. O gosto tem menos de um lustro. Aconteceu. Tal qual ouço a todos a sua experiência com as favas. Contam muitos a mesma história: "Nem as podia ver à frente. Um dia, o Zé convidou-me para jantar em casa dele. Disse que ia amanhar um petisco como nunca me tinha passado p'lo estreito. Chego lá e... eram favas. Comi. Afinal, até gostava, mas não sabia!"
Comigo, o mesmo. Mas diferente. Continuo sem conseguir gostar de favas. Gosto agora de poesia.
Por aqui, tenho arranjado umas desculpas para, volta e meia, pôr uns poemas como post. Hoje, não foi diferente.
Não quero tornar o blog numa colectânea de poesia. Apenas deixar uns poemas. Um exercício de puro egoísmo (ou não). Apenas aqui partilho os que, para mim, em determinado momento, faz sentido que sejam lidos. Reflectidos, sobretudo!
Hoje, Manuel Alegre.

LETRA PARA UM HINO

É possível falar sem um nó na garganta

é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre

terça-feira, setembro 20, 2005

A nossa homenagem...

...a Simon Wiesenthal. Uma das grandes figuras da história universal do séc. XX.
A notícia veio cedo. Fatídica. Verdadeira, como sempre são as novas ruíns.
Uma desculpa para revermos a figura. Aqui, no Simon Wiesenthal Center, por exemplo. A biografia.
A propósito: ainda hoje, seria uma boa altura para reflectirmos sobre o resurgimento dos "neo". Fascistas. Nazis. Salazaristas... Tanto faz. Mas eles estão aí.
No nosso cantinho à beira-mar plantado, há meia dúzia de anos, eram um proto-fenómeno. Hoje, fazem manifestações no Parque Eduardo VII.
E amanhã?

quarta-feira, setembro 14, 2005

Obrigado...

...José Júdice. Esta crónica, intitulada «O câncro», aborda temas diversos que a falta de tempo me tem impedido de sobre eles aqui reflectir.
Aqui fica o aperitivo: «A ignorância e a boçalidade deixaram de ser uma característica do Portugal analfabeto (...) para serem hoje um cancro social».
Como diria a minha avó, «Ai filho... triste vida, negro fado!»

Sugestão...

...de leitura. E de reflecção.
Depois da notícia saída hoje, aconselho um exercício simples: para além da leitura que a comunicação social e a opinião publicada nos impigem, passem por aqui: http://www.oecd.org/dataoecd/44/25/35333424.pdf
Leiam estas 9 páginas apenas, que ainda por cima estão em portugês, e reflictam. Ou melhor, reflictamos.
Escusado será reiterar o convite a que partilhem as vossas opiniões/reflecções!
De que tratam as notícias e o PDF? Do presente e futuro do país de todos nós!

segunda-feira, setembro 12, 2005

Há dias...

...assim. Em que acordo e penso ainda estar a dormir. Mas estou acordado. O pesadelo é real.
Hoje, como todos os dias, acordei com o insuportável despertador, capaz de acordar a vizinha do terceiro esquerdo do caixote ao lado. Vou à procura dele, cálo-o com um carinho musculado, rebolo para o outro lado, na esperança de que seja apenas um pesadelo. Durmo os mais preciosos cinco minutos da noite que termina e logo o desgraçado começa, de novo, a grunhir. Insuportável. Leva mais um murro e cala-se, enquando vou tacteando para alcançar o comando do televisor que ligo na SicN. Sempre.
Sem estar na posse de todas as minhas faculdades psíquicas, nem lá perto, ouço, como que em eco, qualquer coisa como «...portugueses salvam Algarve...». Não percebi. Não me esforcei. «Ok. Se está salvo, escuso de me preocupar», "penso". Rebolo para o outro lado e dormito outros belíssimos três minutos, para depois, em tempo record, escovar os dentes, tomar duche, vestir, sair de casa a correr, comprar os jornais habituais e chagar ao trabalho "a horas". Acordo.
No carro, sei que vou a "ouvir" a TSF, porque, quando ele me leva a almoçar é o posto sintonizado. Alto.
Pico o ponto, ligo o PC, entro no programa de RSS e chega qualquer coisa, como: "Portugueses 'salvam' Algarve. Taxa de ocupação em Agosto atingiu quase 100 por cento" e isto: "Hotelaria: portugueses decisivos para bom ano da região. Algarve supera a crise no Turismo". Logo depois, leio outra notícia. Diferente. Dizia: "Sobreendividamento aumenta" e acrescentava: "Desemprego e crédito instantâneo contribuem para situações-limite. Com o aumento do desemprego, os portugueses recorrem cada vez mais aos créditos instantâneos por telefone. De acordo com o Jornal de Notícias, é cada vez mais elevado o número de pessoas em situações complicadas devido aos pesados encargos com este tipo de financiamento".
As duas novas, diziam respeito ao mesmo país. O nosso. Aí, pensei: «deixa-me aproveitar mais um bocadinho, que, não tarda, o filho da mãe do despertador toca outra vez».
Belisquei-me. Doeu. Ainda tenho a nódoa negra.

sexta-feira, setembro 09, 2005

O tempo...

...é sempre ele que escasseia. Sempre o mesmo. Pouco. Ou será o trabalho que nos subeja?
Nem sei. Sei é que tenho uns temas a que gostava de dedicar umas linhas, e o tempo, sempre ele, não me ajuda. Num esfregar de olhos, o fim-de-semana aí está. Felizmente?
Até para a semama!

Há tempos...

...que não lia o poeta e pintor. Divulgou e incentivou, como poucos, as concepções artísticas do movimento surrealista em Portugal.

PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny

Já...

...que aqui estão, mas sem querer dizer "-Maria, vamo-nos deitar que estes senhores querem-se ir embora", permitam-me umas sugestões: passem por aqui, por ali e por acolá. E por este, aquele e aqueloutro, mas também no outro.
Vale a pena! Estão convidados a sugerir mais alguns.

quinta-feira, setembro 08, 2005

No regresso...

...da ida a banhos, é muita a gana de escrever sobre o que quase toda a gente falou, escreveu, acusou, opinou, reflectiu, mandou bitatites: os incêndios.
Todavia, opto apenas por partilhar uma frase de Fernando Sobral ao "Jornal de Negócios": «Portugal é uma marca de caixa de fósforos. O Governo supõe que é um isqueiro que se utiliza nos concertos: apaga-se quando o espectálulo termina».
Outro dos temas que não deu descanso, nestes meus breves dias de férias, foram as presidenciais. Assunto sobre o qual muito teria para escrever. Que novidade traria? Pouca ou nenhuma. Opto assim, antes, por transcrever um título d'"O Independente": «Soares é fixo».
Citações que podem não dizer tudo, mas, seguramente, dizem muito.

quarta-feira, setembro 07, 2005

A volta...

...é sempre mais rápida que a ida. Sempre assim foi. Cá estamos.